
Happy Ending Foundation. Essa é a associação inglesa que no fim desse mês realizará uma “fogueira dos livros maus”, queimando os livros infantis que não tenham finais felizes.
Segundo a Folha de são Paulo os pais integrantes da associação consideram que “a vida já submete as crianças a amarguras e coisas feias demais e, por isso, é preciso protegê-los contra as histórias deprimentes”. A entidade se esforça também para angariar novos adeptos a campanha e convida escolas e bibliotecas a queimarem seus livros “subversivos”.
Finais tristes ou apelo erótico, o que é “melhor” para as crianças? Afinal, estudos da psicologia já analisaram com exaustidão o conteúdo de Chapeuzinho Vermelho por exemplo, encontrando inúmeros símbolos eróticos implícitos que causam efeitos no inconsciente dos pequenos.
E o que dizer dos desenhos da Disney e Dreamworks – todos seguem a mesma linha, apresentando enredos dramáticos e fortes, com símbolos, trocadilhos e recursos metalingüísticos e intertextuais que apresentam duplo sentido. Os adultos entendem, as crianças reproduzem.
Um exemplo é o desenho Madagascar que, em algumas cenas, dialoga com “Náufrago” e “Beleza Americana”. Uma tática que funciona – pais e crianças se divertem cada qual com percepções diferentes.
Que criança não “sofreu” ao ver ao pai do Simba morrer ou o Dumbo fazer papel de ridículo vestido de palhaço, sem sua mãe. Sem falar nas maldades executadas pelas bruxas malvadas que apelam até para o homicídio. Mesmo assim são clássicos, que as crianças assistem mil vezes e repetem, e choram, e riem, e cantam. É saudável tanto quanto as leituras “subversivas”.
Queimar livros é uma pratica medieval, um desrespeito. Cabe a cada pai, por meio de uma leitura prévia, fornecer ou vetar a leitura de seus filhos, e não fazer campanhas destrutivas.






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