segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Prata que vale um futuro de ouro



Uma pena. É com essa frase que começo o comentário dessa segunda-feira. Hoje não vou falar sobre o Brasileirão, mas sim sobre as meninas que mudaram o rumo do futebol feminino do Brasil.

Sempre houve um preconceito muito grande sobre as mulheres que jogam bola. Mas desde que a jogadora Marta foi eleita a melhor do mundo pela FIFA, desde que a seleção foi medalha de ouro no Pan do Rio e com a excelente campanha feita na Copa do Mundo da China, vamos começar a ver o futebol feminino com outros olhos.

Nunca havíamos chegado a uma final de Mundial. A equipe brasileira desempenhou um futebol magnífico durante toda a competição, goleando equipes favoritas ao título como a China na primeira fase (4 x 0) e os EUA, nas semifinais (4 x 0). As americanas não haviam tomado nenhum gol durante toda a competição e estavam invictas há 51 jogos.

Na decisão contra a Alemanha, as brasileiras não sentiram a pressão de jogarem uma decisão pela primeira vez. Mas são os detalhes que fazem a diferença. Com um mal início de segundo tempo das brasileiras, as alemãs aproveitaram e abriram o marcador.

Tivemos um pênalti ao nosso favor, mas Marta cobrou mal e desperdiçou a chance do empate. No fim da partida, a Alemanha fez 2 a 0 e se sagrou bicampeã. Foi o melhor desempenho do Brasil na história. Até então, em 2003, a seleção canarinho ficou em terceiro.

Mas temos que dar valor a todas às jogadoras brasileiras. Elas se reuniram poucas vezes durante a temporada, enquanto as seleções da Alemanha e dos Estados Unidos disputaram diversas competições ao longo do ano.

Esperamos que a CBF dê o devido valor e apóie o futebol feminino no Brasil. Já se tem informações que a entidade quer realizar a 1ª Copa do Brasil de futebol feminino. Mas é necessário um maior investimento, patrocinadores de peso que venham ajudar a fazer com que haja um crescimento do esporte no país. Aqui vai uma sugestão: que nas preliminares dos jogos masculinos do Brasileirão, criem um campeonato organizado que disperte o interesse do público e dos patrocinadores e divulguem o excelente futebol por elas jogado. Que as equipes masculinas emprestem suas marcas, seus uniformes para que se formem times e com isso, faça com que os torcedores vibrem pelos mesmos times, só que com as mulheres.

Com certeza esperamos que surjam mais Martas, Danielas, Cristianes e tantas outras que nos tragam alegria e títulos mundiais como os homens já fizeram por cinco vezes.

E para quem gosta de estatísticas, em 1950, quando o Brasil sediou a Copa do Mundo, chegamos a nossa primeira final e também perdemos. Fica a lição, o aprendizado e a torcida para que daqui a quatro anos esse sonho das meninas de prata do Brasil possa se tornar realidade. E fica a esperança, é claro, do ouro olímpico, em Pequim, no ano que vem.

Por isso, parabéns Andréia, Elaine, Aline, Tânia, Renata Costa, Rosana, Daniela, Formiga, Maycon, Marta, Cristiane, Bárbara, Mônica, Grazielle, Kátia Cilene, Simone, Daiane, Pretinha, Michele, Ester e Thaís. Vocês mudaram o rumo do futebol feminino no Brasil e no mundo. Valeu Brasil!!!

Boa semana a todos!!!

domingo, 30 de setembro de 2007

Vai haver cobrança?


Após a discussão da semana passada, acerca do cenário político do Senado, os leitores puderam ter idéia do alienamento comportamental da sociedade em relação ao caos político do país, e ainda, tiveram a oportunidade de discuti-lo. Todavia, não faltarão oportunidades para manifestações e reivindicações pró-mudanças em relação às todas as atitudes e tomadas de decisões do governo.


Nesse sentido, enquanto os ares de Brasília se tornam mais tênues, o governo de São Paulo discute novas propostas para o estado. Segundo a proposta de orçamento enviada sexta-feira por José Serra ao Legislativo paulista áreas de transporte e saneamento básico serão cotadas para receber mais da metade do investimento previsto pelo governador.


O investimento nos setores gira em torno dos 6,3 bilhões dos 11,6 bilhões destinados aos investimentos. Todavia, é relevante ressaltar que para entrar em vigor, o orçamento para o ano que vem, deve passar pelo crivo da Assembléia Legislativa, e ainda, deve ser aprovado por 48 parlamentares, no dia 31 de dezembro.


O governo define que as medidas serão destinadas às áreas sensíveis da população, como o transporte público e o saneamento básico. Na primeira, as mudanças serão: recuperação de estradas, ampliação da rede de metrô, e a compra de novos trens para a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos. Já na segunda área, a preocupação, comum à do presidente Luís Inácio Lula da Silva é a de aplicar verba em abastecimento de água e ampliação de rede de coleta e tratamento de esgoto.


O leitor deve estar curioso para saber de onde virão os recursos que o tucano usará para as possíveis modificações: parte deles virá de empréstimos que Serra efetuou com o Banco Mundial, o Bird, o BID e o BNDS. Porém todos os empréstimos necessitam ainda receber aprovação do Ministério da Fazenda a e do Senado.


Chegamos ao ponto, o Senado. Insisto em recordar ao leitor que são medidas definidoras de melhores condições sociais que, também, o Senado se responsabiliza, como instituição pública. Desse modo, ainda que necessite de aprovação as mudanças vislumbradas pelo governo de São Paulo não devem ser, no jargão político, “engavetadas”. Ao lembrar que se tratam de pontos sensíveis para a população José Serra reafirma seu compromisso com suas intenções de mudanças. Transporte público e saneamento básico carecem de urgência dentro da política brasileira e os responsáveis pela cobrança governamental são exatamente, os protagonistas da situação que coloca, em um único recipiente, usuários de transportes públicos, e cidadão com o direito de dispor de um sistema de saneamento básico satisfatório. A dúvida é: serão feitas as cobranças?

Abraços e até a próxima semana.

sábado, 29 de setembro de 2007

Celebridades do mal

Eles são manchetes nos principais jornais do país, dão entrevista, aumentam a audiência das emissoras de tv e chegam a servir de referência para alguns adolescentes. Não estamos falando de nenhum ator global, nem tão pouco de algum cantor da música pop. A classe que nos referimos chama-se bandidos.

Quando uma sociedade começa a ter esta inversão de valores e referências, isto torna-se preocupante. Quando homens e mulheres de bem necessitam ficar presos em suas casas para os bandidos ficarem nas ruas, é sinal que o caos chegou no seu ápice. Logo, já chegamos lá há muito tempo...

Três casos ocorridos nesta semana, nos ilustram bem este raciocínio. Ademir Oliveira do Rosário, suspeito de matar os irmãos na serra da Cantareira, já sabia deste novo modo de se virar celebridade instantânea, sem precisar pousar nu, ou participar do Big Brother. Segundo seus familiares ele avisou: “Vou fazer um crime tão terrível que toda a imprensa vai falar”. Falou e acertou. Adenir é notícia em toda mídia (inclusive neste blog) e tornou-se uma das pessoas mais comentadas pela opinião pública, tamanha brutalidade de que é acusado.

Sua história em particular revela uma série de deficiências na política de segurança pública e nos poderes judiciário e legislativo. Ele cumpria pena em uma unidade prisional de tratamento psiquiátrico que prevê saídas nos finais de semana. A concessão deste benefício por parte da justiça, já é questionada pela polícia, mas vale lembrar que a instituição responsável pela elaboração das leis, chama-se Congresso Nacional, porém seus membros estão mais preocupados em saber quais cargos conseguirão sugar no governo Lula .


O “relaxamento” da pena de Ademir foi o bastante para o suspeito realizar o crime. Resultado: duas crianças mortas, uma família de luto, um bandido preso (novamente) e uma extensa pauta de matérias para os jornalistas.

O segundo caso já perdura há muito tempo, mas voltou a ter repercussão também no último final de semana. Os bandidos do Rio já arrumaram um jeito de driblar os bloqueadores de celulares que nos custaram alguns milhões. Agora eles se comunicam através do rádio, em uma frequência incapaz de ser detectada e desfeita. Isto significa que a população ao redor dos presídios de Bangu, continuarão sem se comunicar via celular, mas os bandidos... Resultado: bandidos continuam com o tráfico, ordenam assassinatos, fazem exigências, e a sociedade continuará escutando suas conversas no Jornal Nacional.

Bem, mas para concluir bem essa semana, vamos terminar com uma cerimônia de casamento. Luiz Fernando da Costa, cujo nome artístico é Fernandinho Beira-Mar, casou-se na sexta-feira com Jaqueline Alcântara Moraes. A cerimônia do famoso teve direito a quase tudo: bolo, salgadinhos, refrigerante, e obviamente uma visita íntima, que podemos chamar de lua-de-mel. A única coisa que não aconteceu foi a presença do fotógrafo da Contigo, para publicar todos os flagras na próxima edição da revista. Resultado: Um novo casal na sociedade brasileira, convidados de barriga cheia, e mais um montante de dinheiro público gasto para fazer a segurança no local da festa. Mas isto não importa não é mesmo? O bom é que eles e todas as demais celebridades sejam felizes para sempre. Agora nós...

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Santa audiência! Será?


A estréia da Record News ocorrida às 20h00 do último 27 de setembro reacende o debate entre monopólio, liberdade de imprensa e democratização da informação.
Para o fundador da Igreja Universal do Reino de Deus, Edir Macedo, a Rede Globo detem o monopólio da informação e a Record News surge a fim de acabar com ele “para dar as pessoas o direito de se informarem por um outro canal de notícias e formarem opinião por si mesmas”.

O que muito se discute é até que ponto um canal jornalístico encabeçado por uma organização religiosa forte que, inclusive, em 2002 elegeu uma bancada de 22 deputados federais, é capaz de produzir um jornalismo isento e objetivo, livre de juízos particulares e anti-panfletário. Ainda é cedo para falar, a resposta virá pela observação dos conteúdos exibidos pela novidade. Particularmente acredito que não, e não é por culpa da Record já que o processo do fazer jornalístico é repleto de escolhas e as escolhas nunca são neutras. Que matéria publicar, que palavra utilizar, qual vai ser o destaque, enfim, escolhas humanas autorizadas ou não por outros humanos que respondem aos quereres de uma empresa privada que, por sua vez, almeja o lucro. Esse é o processo e por isso que sim a Record está “a caminho da liderança” e já saiu na frente.

O investimento de US$ 7 milhões destinado ao projeto do novo canal responde a tentativa da democratização da informação já que o jornal impresso e a internet ainda são acessíveis preponderantemente as elites. Mesmo assim experimentar um modelo de jornalismo ousado e sem tradição no país é complicado. Por ser tratar de um canal aberto o modelo All News proposto pela rede pode ser uma tanto arriscado diante de uma população que prima mais por saber quem matou Thais a desvendar quem são os seis omissos do senado.

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Algumas palavras sobre Educação e Segregação


Pouco mais de uma semana após o jornal The New York Times publicar um artigo a respeito do remanejamento de alunos negros para escolas de baixa qualidade em Tuscaloosa, Alabama, o pré-candidato democrata à presidência dos Estados Unidos, John Edwards, anunciou como proposta uma inspeção ao sistema educacional americano e criticou duramente a chamada lei “No Child Left Behind.” Segundo ele, a lei não estaria trabalhando e crianças pobres ainda estariam sendo enviadas para escolas ruins.

Em Tuscaloosa, o problema virou pauta quando pais brancos reclamaram da superlotação das escolas e centenas de alunos tiveram a transferência realizada. Autoridades educacionais da região apenas dizem que a medida não se tratou de uma questão racial, mas “de utilizar os prédios [escolares] da melhor maneira possível.”

Acontece, entretanto, que a decisão é contrária à lei “No Child Left Behind.” Aprovada em 8 de janeiro de 2002, a lei defende, entre outros aspectos, uma maior flexibilidade para os pais escolherem onde seus filhos estudarão. Ela foi enviada à House of Representative (uma das duas câmaras do Congresso dos Estados Unidos; a outra é o Senado) pelo presidente Bush e teve como um dos assinantes o então senador John Edwards.


A segregação racial nos Estados Unidos não é novidade. Principalmente no Alabama. Em 1963, o Governador George Wallace tentou impedir dois afro-americanos, Vivian Malone e James Hood, a matricularem-se na Universidade do Alabama e só cedeu por intervenção de John Kennedy, presidente na época. Wallace morreu em setembro de 1998, mas reconheceu muito antes, em 1974, que a segregação havia sido um erro. Atualmente, aproximadamente 75% do sistema escolar do Alabama é negro.

Embora diga não saber como George Bush pretendia conduzir a lei quando a aprensentou, Edwards sabe que "No Child Left Behind" ainda é uma das grandes esperanças que diversos grupos sociais, não somente negros, têm para defenderem seu direito a educação de qualidade.


Para maiores informações, as duas reportagens que deram origem a este post estão disponíveis no site do New York Times e podem ser acessadas pelos seguintes links:

http://www.nytimes.com/2007/09/17/education/17schools.html?ref=us

http://www.nytimes.com/2007/09/22/us/politics/22edwards.html?_r=1&ref=education

Sobre a segregação, visite o site:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Segregação

http://en.wikipedia.org/wiki/Racial_segregation

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

O grande desenvolvimento brasileiro e global

Caros leitores, como vão? Espero que bem, pois segundo as pesquisas estamos conseguindo erradicar totalmente a pobreza. A Finlândia que se cuide pois o trono de menos corrupto já tem dono no futuro. Apenas não se sabe quando.

De acordo com pesquisa da Fundação Getúlio Vargas realizada entre 1993 e 2006, a taxa da população brasileira que saiu da linha pobreza saiu de saiu de 35 e foi para 19% do total. Uma redução de 45% em 13 anos. Nada mal, não? No entanto, alguns números podem nos enganar um pouco.

Segundo outro estudo da FGV, 51,5% dos domicílios brasileiros não possuem acesso à serviço de coleta e tratamento de esgoto. Nos últimos 14 anos, o avanço nessa questão foi praticamente irrisório: 1,59% em 14 anos. Fazendo aquelas previsões que os economistas adoram, em 2063 o Brasil ainda teria 25% das residências sem esses serviços básicos de esgoto, coisa que só a África orgulha-se de não ter.

O governo Lula (que passou alguns dias nos países nórdicos (será que lá tem esgoto para todos? Suspeito que sim) fazendo algumas de suas viagens pelo biocombustivel) admitiu o problema e prometeu investir R$ 10 bilhões até o ano de 2010 neste setor tão degradado.

A promessa é boa, mas tratando-se da república das bananas, tudo parece ser mais complicado.

Vivemos na época contemporânea uma situação extremamente paradoxal: conseguimos enxergar pessoas que antes não conseguiam ter absolutamente nada na vida. Hoje, no entanto, desfilam com seus mp3 players pelas ruas. Agora, quando chegam em casa, são obrigados a jogar tudo o que produzem de ruim em algum rio ou coisa do gênero. Isso que é a globalização: “escute sua música favorita a hora que quiser, no entanto, ao produzir algo de ruim, despeje no meio ambiente, ele já está desacreditado mesmo”. Posso estar delirando por completo, mas, mesmo não vivendo naquela época eu digo: que saudades da Guerra Fria.

Uma superpotência dominando o mundo nunca foi e nunca será bom. Infelizmente fomos catequizados pelos irmãos lusos e colonizados pelos EUA. Nunca oferecemos resistência. Nossa grande guerra foi a Guerra do Paraguai (1864-1870). Jamais tivemos vontade de entrar em um conflito. Caso diferente dos EUA e Rússia (que hoje começa a se reerguer), por exemplo. Mas tudo ficará bem. Renan foi absolvido, Lula abre as comportas da Itaipu liberando dinheiro para sua base “aliado” no Congresso, e tudo voltará ao normal no Brasil, sem pobres sem esgoto e com mp3 players. Que belo futuro, não?

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Arctic Monkeys é uma das atrações mais esperadas do TIM Festival



A banda britânica Artic Monkeys irá se apresentar dia 28 de outubro em São Paulo e 31 de outubro em Curitiba no TIM Festival.
A banda é formada por Alex Turner, vocalista, guitarrista e compositor; Matt Helders, baterista; Nick O'Malley, baixista e Jamie Cook, guitarrista. Todos tem em média 20 anos de idade.
Mesmo tendo lançado só dois discos até agora, a banda já faz sucesso no mundo todo. Ganharam prêmios como o Mercury Prize e três Brits Awards.
O vocalista Alex Turner , de apenas 21 anos, parece ser tímido e espantado com toda a badalação que o cerca.
Hoje em dia muitas pessoas se espantam ao ver pessoas tão jovens quanto Alex e já fazendo tanto sucesso. Mas ele mesmo ainda não se acostumou a ver tumulto aonde vai.
"Não imaginávamos que tocaríamos para mais gente do que para nosos amigos, em um pub, quando começamos" disse Alex Turner em uma entrevista cedida ao jornal Estado de São Paulo por telefone.
A banda foi chamada para participar do Live Earth, mas recusou. Não por falta de compromisso com a causa, mas por não quererem parecer arrogantes, como se chamassem para si a rsponsabilidade de mudar o mundo.
"A fama é boa por dar a oportunidade de ir a lugares onde a gente nem imaginava que iria", diz o baterista da banda em entrevista à MTV. "Não sei quanto dinheiro ganhamos. Apenas nos divertimos tocando, não temos preocupação com dinheiro e coisas desse tipo".
Para os fâs da banda e para quem quer se divertir (junto com eles), curtindo um som novo e muito legal, o show irá se realizar em São Paulo no Anhembi e em Curitiba no espaço cultural Pedreira Paulo Leminski.
Mais informações sobre os shows: http://www.timfestival.com.br/