segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Timão, na raça e no coração


Queridos leitores do Enfoca, passada mais uma semana estou aqui de novo para falar sobre esportes, principalmente sobre o guerreiro Corinthians.

Há duas semanas atrás, escrevi aqui mesmo no blog um artigo com o seguinte título: “Sem técnico, sem time e sem parceria”. Nelsinho Baptista veio para comandar o Timão. O time continua com um elenco limitadíssimo, um dos piores dos últimos 10 anos (o torcedor, antes, vibrava com Marcelinho, Ricardinho, Vampeta – em boa forma – Dida, Tevez; hoje se contenta com Zelão, Moradei, 3 Évertons e companhia limitada). A parceria ainda dá o que falar nos bastidores e estão sem presidente (haverá eleições amanhã, dia 09/10).

Mas com tudo isso contra e na zona de rebaixamento, o alvi-negro entrou em campo ontem no Morumbi disposto a vencer para diminuir a crise, fazer as pazes com a torcida e derrubar um tabu que já durava mais de 4 anos e meio sem ganhar do São Paulo.

E é nessas horas que o Corinthians cresce. O Tricolor teve as melhores chances da partida, não foram muitas, mas a maioria delas parava nas mãos do excelente goleiro Felipe, que está merecendo há muito tempo uma convocação para a seleção brasileira.

Os dois times se preocuparam muito em marcar tanto que o São Paulo entrou com quatro zagueiros, mesmo que um deles, André Dias, atuou de volante e o Timão, não assustou o goleiro Rogério Ceni durante todo o jogo.

Rogério Ceni, aliás, sentiu uma contusão e continuou no campo por causa da falta de ofensividade da equipe adversária. No único lance perigoso do Timão, Gustavo Nery bateu a falta, o zagueiro Fábio Ferreira escorou e Betão de cabeça fez a alegria da Fiel.



Para Alex Silva, do São Paulo, faltou “respeitar mais o Corinthians”. Pesou também a maratona de jogos que vem realizando a equipe do Morumbi. Porém o tricolor tem 11 pontos de vantagem para o Cruzeiro.

Mas a vitória veio do jeito que a torcida gosta. Suada, sofrida, mesmo jogando mal (aliás, o futebol apresentado pelo Corinthians não mudou em relação às outras partidas), com gol no final.

A chance de cair ainda existe. Apesar da vitória, o time de Parque São Jorge continua na zona da degola, mas o astral é outro. Se quiser permanecer na primeira divisão, deverá continuar com a mesma pegada e o mesmo espírito que apresentou no clássico.

Mas vamos deixar bem claro, o futebol também deve melhorar, senão só raça e vontade não bastam. Ajudam, mas não é o suficiente.

domingo, 7 de outubro de 2007

Raciocínio lógico da República

“Se as pessoas estão pagando mais, é por que estão ganhando mais”. É com essa frase que o nosso presidente da república, Luiz Inácio Lula da Silva, polemizou a entrevista coletiva, realizada nesta sexta-feira, em Santa Catarina. Logo em seguida ratificou seu discurso complementando, “a CPMF é um imposto justo”.

O presidente Lula, durante toda a coletiva, embasou seu discurso explicativo em uma série de afirmações que segundo o raciocínio lógico de sua república, lhe pareciam, indubitavelmente coerentes.

“O Brasil não pode ter medo de arrecadar mais”. Para os leitores vale uma explicação mais detalhada acerca do trabalho jornalístico em momentos como esse. Vale a pena entender que o trabalho jornalístico é composto de gêneros e técnicas distintas, porém assim como é ensinado na própria academia, um desses gêneros é o chamado jornalismo declaratório, no qual, o texto se desenvolve a partir de declarações das fontes. E, segundo a jornalista política da Folha de São Paulo – Renata Lo Prete – apenas no jornalismo político as declarações são consideradas fatos.

É possível agora entender, ou até mesmo, atribuir valor mais significativo em relação as afirmações do presidente Lula, que foram além. Explicou ainda em discurso, que o mal do Brasil é que durante muito tempo ele arrecadou menos e que precisa arrecadar o justo para fazer a política social justa. Daí seu pressuposto que o CPMF se trata de um tributo justo.

Todavia, com as diversas manifestações surgidas, Lula preferiu lembrar alguns de seus pontos favoráveis para os ouvintes, como o fato do governo ter desonerado 32 bilhões de reais no ano de 2006. Declarou ainda que “as pessoas se esquecem com muita facilidade as coisas que fizemos”. Em legitimação, citou a Lei Geral recém-aprovada da Micro, Pequena e Média Empresa, que vai gerar um novo tipo de pagamento de imposto, que conta com outra desoneração em 5 bilhões de reais.Baseado nesse tipo de fato e argumentação o presidente afirma que acredita na aprovação da CPMF pelos parlamentares.

Para completar a sucessão de pensamentos díspares criticou a conduta da população sobre a mania de esquecer aquilo que já foi feito e pensar apenas naquilo que pode acontecer. Neste caso caberia o confronto de idéias, uma diz respeito à máxima popular na qual, “águas passadas não movem moinhos” e a outra em relação a inconveniência para o senhor presidente em recordar à população sobre assuntos políticos passados, afinal as recordações acerca do escândalo político que engoliu seu partido em 2005.

Assim, vale um pesar mais detalhada na elaboração do discurso, para que situações como estas não fiquem tão evidentes para a população. Afinal Lula deseja estimular o espírito crítico do país, provocando-o ou deseja recentralizar os olhos da opinião públicas para “as coisas que as pessoas se esquecem com facilidade que nós fizemos” ?

Em nota da imprensa:
O assunto da primeira postagem da editoria de política do Enfoca tratou da ausência de manifestações políticas da sociedade contra situação de inércia do Senado, porém foi noticiado na semana passada, pela Revista Veja, uma passeata que aconteceu na zona Sul do Rio de Janeiro em protesto contra impunidade e com pedido de saída de Renan Calheiros da presidência do Senado. A manifestação contou com a participação de 300 estudantes. Quem sabe os leitores que comentaram tenham razão e a própria função da Crise do Senado seja o plantio da semente de indignação?

Abraços e até a próxima semana!

sábado, 6 de outubro de 2007

Tropas e Caldeirões

Assassinatos diários. Roubo. Estupro. Mortes e mais mortes. Quem mora nas periferias das grandes cidades brasileiras já está acostumado com palavras tão deprimentes. Elas caracterizam um país onde se perderam todos os princípios que norteiam a preservação da vida humana. Longe dos centros, dos bairros de luxo, das baladas da classe média, milhares de brasileiros morrem nas esquinas, nos becos, nas vielas, nos morros. Um tiro, uma facada, uma droga, um golpe, quais outras maneiras faltam para dizimar aquele que não é cidadão? O que falta mais para se execrar de vez os excluídos dos “Brasis”?.

Com poucas alternativas, a periferia pouco consegue reverter esta situação. As alternativas que lhe restaram foram se jogar nos braços da igreja, na esperança de ter seu paraíso pós-morte, ou se jogar nos braços dos líderes criminosos, que pela ineficiência do Estado, tornam-se governantes das terras sem- lei.

Na semana passada, um polêmico artigo do apresentador Luciano Huck publicado pelo jornal Folha de São Paulo, mostrou a temerosidade de um homem rico diante dos mesmos problemas enfrentados na periferia dos pobres. Huck procurou fazer um desabafo sobre a violência que sofrera (ele foi assaltado em São Paulo, no qual dois bandidos levaram seu relógio).A publicação rendeu ao apresentador global uma enxurrada de críticas. Diziam que aquela sua reação se dava apenas porque a violência aconteceu com ele. Em entrevista a revista Veja, Luciano Huck se defende: “Quem pegar as cartas dos leitores vai ver um monte de manés que escreveram. Garanto que já fui milhares de vezes mais do que eles à periferia. No domingo, andei no Complexo do Alemão. Vou, converso com as pessoas. Vejo o que acontece no país”.

Luciano foi feliz em sua defesa. Não se mostrou como um rico insensível, que vive no seu mundo de celebridade, e de milhões de dólares. Ele simplesmente se mostrou como um cidadão, que independentemente de sua posição social, sabe que o país passa por sérios problemas.

E para afomentar o debate inconclusivo, a estréia oficial e extra-pirata do filme Tropa de Elite, de José Padilha, coloca em questão a confiabilidade da polícia e evidencia ainda mais decadência da segurança pública em nosso país.

Ambos os casos, atingem diferentes camadas. O primeiro publicado em meios de mídia elitizados como um jornal e uma revista semanal, atingiram públicos de alto escalão. Já o segundo, com milhares de cópias piratas dissipou-se pelo restante das classes sociais.

Enfim, todo os “Brasis” estão no centro do debate, mas possui duas alternativas: ou viveremos este momento como mais um ou usaremos o “hoje” para desenvolvermos medidas práticas de mudanças. O fim desta novela sanguinária depende de cada um dos brasileiros, quer ricos, quer pobres.

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Index infantil: em prol de um mundo cor-de-rosa


Happy Ending Foundation. Essa é a associação inglesa que no fim desse mês realizará uma “fogueira dos livros maus”, queimando os livros infantis que não tenham finais felizes.

Segundo a Folha de são Paulo os pais integrantes da associação consideram que “a vida já submete as crianças a amarguras e coisas feias demais e, por isso, é preciso protegê-los contra as histórias deprimentes”. A entidade se esforça também para angariar novos adeptos a campanha e convida escolas e bibliotecas a queimarem seus livros “subversivos”.

Finais tristes ou apelo erótico, o que é “melhor” para as crianças? Afinal, estudos da psicologia já analisaram com exaustidão o conteúdo de Chapeuzinho Vermelho por exemplo, encontrando inúmeros símbolos eróticos implícitos que causam efeitos no inconsciente dos pequenos.

E o que dizer dos desenhos da Disney e Dreamworks – todos seguem a mesma linha, apresentando enredos dramáticos e fortes, com símbolos, trocadilhos e recursos metalingüísticos e intertextuais que apresentam duplo sentido. Os adultos entendem, as crianças reproduzem.

Um exemplo é o desenho Madagascar que, em algumas cenas, dialoga com “Náufrago” e “Beleza Americana”. Uma tática que funciona – pais e crianças se divertem cada qual com percepções diferentes.

Que criança não “sofreu” ao ver ao pai do Simba morrer ou o Dumbo fazer papel de ridículo vestido de palhaço, sem sua mãe. Sem falar nas maldades executadas pelas bruxas malvadas que apelam até para o homicídio. Mesmo assim são clássicos, que as crianças assistem mil vezes e repetem, e choram, e riem, e cantam. É saudável tanto quanto as leituras “subversivas”.

Queimar livros é uma pratica medieval, um desrespeito. Cabe a cada pai, por meio de uma leitura prévia, fornecer ou vetar a leitura de seus filhos, e não fazer campanhas destrutivas.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Governo americano na Internet

Em funcionamento desde a última quarta-feira (03/10/07), o blog do Departamento de Estado Americano convida o público a se informar e - isso mesmo! - discutir assuntos relacionados a política externa, sem apelar para a linguagem diplomática.

"DIPNOTE", como foi intitulado, faz referência a uma nota diplomática que governos utilizam para comunicarem-se entre si.

A idéia é boa. Vários tópicos que estão sendo discutidos nestes pouco dias de funcionamento e que podem vir a ser tratrados no futuro, por mais constantes que sejam na mídia, não são de fácil entendimento para o grande público, seja ele americano ou não.

Preocupa, etretanto, o uso indevido destas informações e discussões. Como jornalistas, reconhecemos o alto potencial do blog na sugestão de pautas ou, simplesmente, como fonte. Mas esperamos que o famoso "Ctrl C, Ctrl V" sejam desde já descartados.

Aos interessados, vai o endereço:

http://blogs.state.gov/

Entre matérias produzidas para o blog, comentários e fotos, também está disponível um excelente arquivo de vídeos.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Brasil chegou no máximo de sua indústria?!?!

Pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas aponta um cenário sombrio para a economia brasileira: a indústria brasileira chegou em seu maior nível de capacidade instalada dos últimos 30 anos.

Capacidade instalada quer dizer o potencial que uma indústria pode produzir com suas máquinas atuais sem necessidade de aumento de preços. Quanto menor o índice, maior a possibilidade de atender a demanda sem causar aumento de preços.

No mês de setembro, a capacidade instalada ficou em 86,1%, perto dos 87% de janeiro de 1977, maior patamar até agora.

Especialistas afirmam que não é necessário ter medo pois os investimentos em diversos setores da economia brasileira estão sendo feitos. Será?

Entidades como FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) na maioria das vezes em que é divulgado algum dado sobre a economia nacional, reivindicam algo. Na maioria das vezes, mais investimentos. Não me parece que os “tais”investimentos estão sendo feitos.

O país patina no céu de brigadeiro que é a situação econômica mundial. Poucas crises atingiram o governo Lula. Ele mesmo assim, mais uma vez, perde uma chance de ouro.
A briga no Planalto entre Guido Mantega (Fazenda) e Henrique Meirelles (Banco Central) não tem prazo para acabar. O 1º é favorável a um desenvolvimento maior para o país. Este “desenvolvimento”não faz nem cócegas para o verdadeiro estágio que precisamos atingir caso, um dia remoto, o Brasil se tornar um país sério.

O aumento desta capacidade instalada pelo simples fato do aumento do salário mínimo e da banalização do credito (hoje qualquer um poder ter dinheiro emprestado do banco, usando o desconto em folha de pagamento; crédito consignado). Isto, não precisa ser nenhum doutor pela Universidade de Chicago (uma das mais prestigiadas na área de economia do planeta) para descobri que obviamente aquecerá a indústria e por conseqüência, a capacidade instalada. E isto está longe de se dizer que a o país está num patamar considerado de desenvolvimento. Nosso caminho é muito longo para chegar até este nível, se um dia chegarmos.

Não tenham medo meus amigos. Não creio que o “gigante adormecido”acordará tão cedo. Enquanto isso, nós crescemos mais que o Haiti.

“Ó Pátria amada, Idolatrada, Salve! salve!”

terça-feira, 2 de outubro de 2007

1ª Biblioteca Mundial terá contribuição do Brasil


Hoje a internet nos permite ter acesso a diversos conteúdos, mas quando a questão são os livros, ainda deixa a desejar. Existem sites nos quais é possível fazer download de livros, contudo nem sempre se encontra o título desejado.

Isso está prestes a mudar, pois a Unesco irá lançar neste mês o protótipo da World Digital Library (WDL), a Biblioteca Digital Mundial. Neste primeiro teste o portal terá mapas, fotografias e manuscritos digitalizados, disponíveis nos idiomas árabe, chinês, espanhol, inglês, francês, português e russo. Apenas na segunda fase será possível consultar livros.


Entre as grandes bibliotecas que foram convocadas para colaborar com o acervo, a Biblioteca Nacional não apenas está entre elas como também foi uma das primeiras a aceitar. Ela é a número um da América Latina e a oitava do mundo.

A iniciativa é realmente muito importante, pois o beneficio será geral. A princípio pensamos nos estudantes, pois terão mais facilidade tanto com relação às pesquisas e trabalhos escolares, como quando são pedidos muitos livros ao mesmo tempo e estes não têm condições de comprar.

Mas ampliando um pouco essa visão, sabemos que qualquer pessoa poderá acessar livros de diversos lugares do mundo. Sem contar que, infelizmente, muitas vezes não podemos adquirir todos os livros que gostaríamos, e a Biblioteca Digital irá possibilitar o acesso à eles.



Dia 17 de outubro entrará em funcionamento um protótipo da WDL na 37ª Conferência-Geral da Unesco, em Paris.

Para maiores informações sobre o projeto entre no site http://www.worlddigitallibrary.org/ .
Uma boa semana para todos!